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Otz Chiim A Árvore da Vida


OTZ CHIIM, A ARVORE DA VIDA

1. Para podermos compreender o significado de qualquer Sephirah particular, devemos antes analisar as linhas gerais da OTZ CHUM, a Árvore da Vida, como um todo.

2. Trata-se de um hieróglifo, ou seja, de um símbolo composto, com o qual se procura representar o cosmo em toda a sua complexidade, e também a alma do homem nas relações que esta mantém com aquele; e quantos mais estudaram esse símbolo, mais descobrimos que ele constitui uma representação perfeitamente adequada do que procura expressar; utilizamo-lo da mesma maneira pela qual o engenheiro ou o matemático utiliza sua régua de cálculos - para investigar e calcular as complexidades da existência, tanto visível como invisível, seja na natureza externa, seja nas profundezas ocultas da alma.

3. Como se pode observar pelo desenho ao lado, o hieróglifo consiste na combinação de dez círculos dispostos de determinada maneira e unidos entre si por linhas. Os círculos são as Dez Sephiroth Sagradas e as linhas constituem os Caminhos, que perfazem o total de vinte e dois.

4. Cada Sephirah (forma singular do substantivo plural Sephiroth) representa uma fase de evolução e, na linguagem dos rabinos, as Dez Esferas recebem o nome de Dez Emanações Sagradas. Os Caminhos entre elas são fases da consciência subjetiva, os Caminhos ou graus (do latim gradus, "degrau"), através dos quais a alma desenvolve a sua compreensão do cosmo. As Sephiroth são objetivas e os Caminhos são subjetivos.

S. Permitam-me lembrar-lhes mais uma vez que não exponho a Cabala tradicional dos rabinos como uma curiosidade histórica, mas sim como uma estrutura edificada por gerações inteiras de estudantes - todos iniciados e, dentre eles, alguns adeptos - que fizeram da Árvore da Vida seu instrumento de desenvolvimento espiritual e trabalho mágico. Essa é a Cabala moderna, a Cabala alquímica, como também a chamaram por vezes, que abrange muitas coisas estranhas à tradição rabínica, como se verá em seu devido tempo.

6. Consideremos, agora, a disposição geral e o significado da Árvore. Observemos que os círculos que representam as Sephiroth estão dispostos em três colunas verticais, a que, no topo da coluna central, acima de todos os outros elementos, formando o vértice superior do triângulo das Sephiroth, está a Sephirah Kether. Citando novamente as palavras de MacGregor Mathers, "O oceano sem limites da luz negativa não procede de um centro, pois não o possui. Ao contrário, é essa luz negativa que concentra um centro, o qual é a primeira das Sephiroth manifestas, Kether, a Coroa."

7. Mme. Blavatsky extraiu de fontes orientais a expressão "o ponto no círculo" para expressar o Primeiro Impulso de manifestação, e a ideia está contida na expressão rabínica Nequdah Rashunah, o Ponto Primordial, título que se aplica à Sephirah Kether.

8. Mas Kether não representa uma posição no espaço. O Ain Soph Aur é descrito como um círculo cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não está em nenhum lugar - expressão que, como tantas outras no ocultismo, é inconcebível, mas que, não obstante, apresenta uma imagem à mente e, por conseguinte, condiz com seu propósito. Kether, portanto (e, na verdade, todas as outras Sephiroth), é um estado ou uma condição da existência. Devemos ter sempre em mente que os planos não se superpõem uns aos outros no Empíreo, tal como os pavimentos de um edifício, constituindo, antes, estados de ser ou estados de existência de tipos diferentes. Embora esses estados se desenvolvam sucessivamente no tempo, eles se manifestam simultaneamente no espaço, pois todos os tipos de existência estão presentes no ser, por mais simples que este seja, e poderemos compreender melhor essa afirmação se lembrarmos que o ser humano consiste em um corpo físico, emoções, mente e espírito, e que todos esses aspectos ocupam simultaneamente o mesmo espaço.

9. Quem já observou, numa solução saturada, um líquido aquecido, como vão se formando cristais ao se baixar a temperatura, tem uma imagem adequada para simbolizar a Sephirah Kether: tomemos um copo de água fervente e nele dissolvamos o máximo de açúcar que for possível dissolver. Então, à medida que a mistura for se esfriando, veremos os cristais de açúcar ir se tomando visíveis novamente. Se o leitor fizer realmente essa experiência, não se contentando apenas em ler sobre ela, obterá um conceito através do qual poderá imaginar a existência da Primeira Manifestação oriunda do Imanifesto Primordial: o líquido está transparente e sem forma; mas uma mudança ocorre nele, e os cristais começam a aparecer, sólidos, visíveis e definidos. Podemos imaginar semelhante mudança ocorrendo na Luz Ilimitada e Kether se cristalizando nessa Luz.

10. Não pretendo, por enquanto, aprofundar a natureza de qualquer uma das Sephiroth, mas apenas indicar o esquema geral da Árvore. Se despendermos muito tempo num ponto particular, sem que antes o estudante tenha entendido o conceito geral, nossa tarefa será inútil, pois ele não compreenderá a importância desse conceito no esquema como um todo. Os próprios rabinos conferem a Kether os títulos de Segredo dos Segredos e Altura Inescrutável, sugerindo, assim, que a mente humana muito pouco pode esperar conhecer sobre Kether.

11. É digno de nota que o Judaísmo Exotérico, de cujas responsabilidades o Cristianismo é o desafortunado herdeiro, não apresenta qualquer concepção das Emanações ou da sobreposição das Sephiroth. Ele declara simplesmente que Deus fez o mar, as montanhas e as feras do campo, e visualizamos esse processo - se é que realmente o visualizamos - como o trabalho de um artífice celestial que molda cada nova fase de manifestação e assenta o produto final no lugar que lhe corresponde no universo. Essa concepção atrasou por séculos o avanço da ciência europeia. Os homens de ciência tiveram, afinal, de romper com a religião e sofrer a perseguição como heréticos, a fim de chegarem à concepção da evolução que foi explicitamente ensinada na Tradição Mística de Israel - tradição, aliás, com a qual os autores do Velho Testamento estavam inquestionavelmente familiarizados, pois suas obras estão repletas de referências a implicações cabalísticas.

12. A Cabala não concebe Deus como um artífice que cria o universo etapa por etapa, mas pensa em diferentes fases de manifestação evoluindo umas das outras, como se cada Sephirah fosse um lago que, uma vez cheio, transbordasse num lago inferior. Citando novamente MacGregor Mathers: oculto numa bolota, existe um carvalho com suas bolotas e, oculto em cada uma destas, existe um carvalho com as suas bolotas. Assim, cada Sephirah contém a potencialidade de tudo que a segue na escala da manifestação descendente. Kether contém todas as outras Sephiroth, que são em número de nove; a Chokmah, a segunda, contém as potencialidades de todas as suas oito sucessoras. Mas, em cada Sephirah, apenas um aspecto de manifestação se acha desenvolvido; as Sephiroth subsequentes permanecem em estado latente a as precedentes são recebidas pôr refração. Cada Sephirah é, portanto, uma forma pura de existência em sua essência; a influência das fases precedentes de evolução é externa à Sephirah, que recebe esses influxos por refração. Tais aspectos, cristalizando-se, por assim dizer, nos estágios anteriores, não se encontram mais em solução na corrente exteriorizada de manifestação, que procede sempre do Imanifesto por meio do canal de Kether. Quando, por conseguinte, desejamos descobrir a natureza essencial, a base de manifestação, de um tipo particular de existência, encontramo-la meditando sobre a Sephirah à qual essa existência corresponde em sua forma primordial. Existem quatro formas ou mundos pelos quais os cabalistas concebem a Árvore, e deveremos considerá-los em seu devido tempo.

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